segunda-feira, 12 de agosto de 2013

UM

O LUGAR ONDE ELES SE ENCONTRAM É SIMPLESMENTE DEMAIS. Existem livros aqui, livros lindos! Aliás, este lugar mais parece um templo à Palavra, de tanta consideração, cuidado e beleza devotados aos livros. 

Aqui alguns homens se encontram para falar de si e do que escrevem. Suas palavras, sejam muitas ou poucas, são lidas e julgadas por todos. Afinal, aqui todos se veem. Aqui eles conseguem vencer e superar o horror e tristeza que lhes perseguiu há tempos atrás. Pelo menos foi isso o que disseram algumas tardes atrás. 

Entre uma bebida e outra, envolvidos pela música de Bach, aos poucos as palavras são lançadas ao ar, colorindo-o, trazendo-lhe aromas, texturas e cores surpreendentes. Afinal, aqui é o lugar onde as palavras e cartas ganham vida. 

E eu, aqui do meu canto, olhando de longe, encantado, sonhando com o dia quando poderei me assentar com eles e, quem sabe, também contar minhas histórias, fico pedindo a Deus que não deixe o tempo passar. Ouvi-los é um prazer. Suas histórias me fazem viajar – além de darem muitas ideias às minhas próprias histórias.

Ideias... Histórias... Eu cresci com elas em meu coração. Os livros técnicos, livros de fatos, também fizeram parte da minha infância e formação. Mas foram as histórias que sempre fizeram meu coração suspirar.

– Adrien, preciso que você venha comigo. Agora! 

– Mas mãe...

– A-GO-RA!

– Está bem - expressando-me super desanimado - Para onde vamos, mãe?

– Para a livraria do seu tio. Ande logo que eu estou com pressa! 

Só não me chateei desta vez, pelo fato da livraria do tio Donuts ser tão gostosa quanto a Confraria das Cartas. Lá, tenho a oportunidade de continuar sonhando em meio às histórias e puffs espalhados no meio das prateleiras.

Afinal, nestes meus doze anos de vida, ainda não encontrei amigos melhores do que os que estão nas prateleiras. Os meninos da escola sempre me evitam pelo fato de me acharem um pouco estranho. Meu pai, sempre viajando, e minha mãe, na correria de seus dois trabalhos, acabam não tendo muito tempo para mim.

Como o tempo que não estou na escola eu passo com meus avós, e com eles eu não tenho assunto, acabo me lançando nos livros, nas histórias. Aliás, o amor pelos livros parece que não entrou apenas em minha mãe pois, seus pais (meus avós) foram quem primeiro despertaram o amor pela Palavra em meu coração. E o tio Donuts, com sua livraria maravilhosa, nada mais fez do que manter vivo o amor pelos livros que, primeiramente, aprendeu com seus pais.


Despedi-me da Confraria ansioso pela próxima tarde quando poderei vê-los novamente. Até lá, ficarei imaginando os mundos que ali foram semeados em meu coração.

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